Entenda as certificações para exportação de madeira e mobiliário

Presidente do Sindusmóbil, José Antonio Franzoni informa que atualmente as exportações de móveis do Brasil são feitas por pouco mais de 80 empresas em um universo de 20 mil

Publicado em 11 de maio de 2016 | 9:30 |Por: Pedro Luiz de Almeida

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Durante períodos instáveis para a economia, investir na exportação é uma das alternativas encontradas pelas moveleiras para alavancar os negócios. Contudo, como alertam alguns especialistas, obter as certificações necessárias é fundamental para garantir que o produto terá espaço no mercado exterior. “Assim elas atingem o padrão de qualidade para exportar”, explica o gerente do Senai de Arapongas (PR), Nilson Violato.

Para se obter os certificados necessários para exportação, a empresa deve se submeter as avaliações dos órgãos certificadores competentes a cada atribuição. Dentre eles, estão os laboratórios de química e meio ambiente, celulose e papel e madeira e mobiliário da rede Senai, estrategicamente distribuidos por todo o país. “Em específico sobre a certificação FSC a mesma é obtida através de órgãos certificadores habilitados pelo FSC Internacional”, complementa Franzoni.

Sobre as certificações necessárias e panorama do mercado atual, quem nos deu mais informações foi o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário – Sindusmobil e CEO da Artefama, José Antonio Franzoni. “Cada destino, cliente e composição de produto (madeira bruta, móveis com painéis ou móveis de madeira sólida) requerem uma certificação ou documentação diferente”, explica Franzoni.

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O prazo médio para obtenção das certificações depende do segmento, porte e nível de organização da empresa, sendo uma média de 3 a 4 meses

“Por exemplo, nos países europeus a certificação florestal FSC, que é um sistema internacionalmente reconhecido, que identifica, através de sua logomarca, produtos madeireiros e não madeireiros originados do bom manejo florestal é quase como um pré-requisito. Para a Europa também desde 2013 existe o regulamento 995/2010, também conhecido como FLEGT, o qual não é propriamente uma certificação, porém uma legislação a ser cumprida. Para os Estados Unidos se utilizar chapas é obrigatório o uso de MDF Carb (limite de emissão de formaldeído), se for madeira depende de cumprir normas do IBAMA” detalha o empresário.

compilado por Sindusmóbil, com dados primários no sistema Aliceweb do MDIC

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Destino das exportações brasileiras/acumulado período

Panorama
Em relação ao número de empresas exportadoras, o CEO da Artefama informa: “As exportações brasileiras de móveis são realizadas por não mais do que 80 empresas, dentro de um universo de quase 20.000. Mas temos que levar em conta que, segundo o último relatório do Fórum Econômico Mundial, o Brasil apresenta o 6º maior mercado de consumo do mundo, e nunca exportou mais do que 1,5% da sua produção de móveis, mesmo nos melhores momentos no início da década passada”, contextualiza Franzoni.

“Para os mercados, norte-americano e europeu, as empresas brasileiras somente conseguem exportar móveis de madeira maciça, praticamente só de pinus, que é uma madeira de baixa densidade, enquanto nossos principais competidores utilizam uma variedade maior e também de maior densidade. No entanto, a tecnologia de secagem e acabamento do pinus desenvolveu-se muito nos últimos 20 anos e, aliado aos fatores custo e certificação, nossos produtos são bem aceitos no mercado internacional. Em painéis, as empresas são competitivas na América Latina, mas o mesmo não ocorre na América do norte e Europa”, contextualiza José Antonio Franzoni.

De acordo com os dados do Sindusmóbil, no 1° quadrimestre deste ano houve um recuo de 9,3% nas exportações nacionais no comparativo com o mesmo período de 2015. O empresário atribui este cenário a perda de mercado nos países sul-americanos, principalmente na Argentina. “Penso que, com a mudança do governo neste país, os entraves para se exportar sejam derrubados e as exportações possam crescer”, estipula Franzoni.

A instabilidade do real frente a moeda norte-americana,  foi citada pelo dirigente como o fator mais crítico para as exportadoras, pois, segundo ele, retira a previsibilidade das empresas. “Os clientes internacionais fazem sempre a mesma pergunta para os exportadores brasileiros: até quando você garante que seu preço, já que ele está atrelado hoje a uma taxa e daqui a 90 dias (se muito) ela pode baixar 10% ou mais?”, reflete o presidente do Sindusmóbil.

José Antonio Franzoni finaliza dizendo que “estar exposto à competição internacional, vendendo em outros mercados, em si traz vantagens competitivas para uma empresa, pelo contato com novas tecnologias, normas, certificações, etc”. Para tanto, é importante para as empresas que queiram ingressar neste ramo, focar nas segmentações necessárias de seu portfólio para obter as certificações necessárias conforme o tipo de produto e destino visado.

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