Um primeiro olhar sobre o Brexit

Analista de questões internacionais escocês, Kian Koramshai, fala sobre a saída do Reino Unido da União Europeia

Publicado em 24 de junho de 2016 | 18:03 |Por: Guilherme Stromberg Guinski

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Aprovado pelos britânicos em referendo nesta quinta-feira, 23/06, o Brexit (movimento para o Reino Unido sair da União Européia [UE]) a já abalou os mercados do mundo inteiro, causando quedas de 15% na bolsa da Grécia, 8% na França e Japão, 4% nos EUA e quase 3% no Brasil. Entrevista ao eMóbile, o escocês radicado no Brasil e analista de questões internacionais, Kian Koramshai, diz que ainda é muito cedo para qualquer tipo de previsão. Segundo ele, o principal motivo para a saída do bloco é que a EU está “prestes a autorizar a entrada da Turquia na EU, são 75 milhões de pessoas que vão ter livre acesso ao nosso sistema médico e, obviamente, todo mundo sabe que tem uma tensão política no meio, pois é a porta de entrada para países com casos de terrorismo, etc, e isso assusta muito os britânicos. Haverão algumas regras, mas nada vai impedir dos turcos entrarem na Inglaterra como os poloneses fazem hoje.”
Sobre as consequências nas relações comerciais, Koramshai diz que “A importância da Inglaterra não diminui fora da Europa. Em termos de exportação eu acho que o Brasil não vai sentir nenhum efeito imediato. A gente está falando pra daqui dois anos ou mais, quando isso entrar em vigor. Ainda estamos na fase de choque. Com calma os países vão se estreitando e remontando um relacionamento com a Inglaterra de maneira diferente. Vai ser desafiador para negociar com a Inglaterra, pois serão regras novas.”
O referendo aconteceu na última quinta-feira, 23/06, e apenas a notícia do resultado gerou comoção econômica em todo o mundo. O governo britânico não tem nenhum laço legal com o resultado, porém diz que seguirá em frente com a opinião popular. Segundo dados demográficos, dos votos a favor da saída a maioria eram de pessoas com mais de 44 anos residentes no País de Gales e na Inglaterra, com exceção de Londres. Ao mesmo tempo, assim que as urnas foram fechadas disparou o número de pesquisas no Google, por parte dos britânicos, com a pergunta: “O que é a União Europeia?”


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