Relatório Brasil Móveis 2016 aponta dados do setor moveleiro

Queda nas vendas domésticas de móveis reflete na produção das indústrias brasileiras que não conseguem apostar na exportação

Publicado em 2 de Janeiro de 2017 | 15:30 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

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O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de móveis e se destaca por sua competitividade na fabricação de móveis de madeira. Privilegiado, conta com enorme oferta de madeira certificada ou reflorestada que possibilita uma importante base de produção de painéis de madeira reconstituída para alimentar as indústrias de móveis.

Para o diretor do Iemi, Marcelo Prado, apesar destes fatores, o modelo de desenvolvimento econômico adotado no passado, de mercado fechado ao comércio internacional, e mais recentemente pela política monetária empreendida pelo governo anterior, que provocou uma forte valorização da moeda nacional frente ao dólar, “nossa indústria ainda encontra-se ainda muito dependente da demanda e dos humores do mercado interno”, frisa.

Divulgação Movergs

Brasil Móveis 2016

Utilização da capacidade instalada das fábricas de móveis aumentou levemente

O Iemi lançou no final de outubro a versão impressa do Relatório Brasil Móveis 2016, que apresenta dados de produção, consumo e muitas outras informações a respeito do setor moveleiro brasileiro. Em 2015, a indústria nacional de móveis e colchões produziu 463,4 milhões de peças em 2015 – queda de 8,7% na comparação com 2014.

Esse valor corresponde a 3,2% da produção mundial de móveis, que é liderada pela China (44,1%), seguido do bloco de 28 países da União Europeia (21,8%) e dos Estados Unidos (9,8%). Perguntado sobre os motivos do Brasil não produzir mais móveis e não se tornar um grande exportador, o diretor do Iemi, Marcelo Prado, assinala que é justamente pelo ambiente econômico brasileiro e pelas políticas de comércio exterior que não oferecem as condições ideais para acessar os mercados mais relevantes do mundo.

“Internamente, enfrentamos uma série de custos de produção desnecessários, impostos pela estrutura tributária e leis trabalhistas anacrônicas, agravado por uma infra-estrutura ineficiente e cara. Externamente, desde 2003 que o país não avança em acordos internacionais de comércio, com mercados relevantes, de forma a criar vantagens competitivas e estímulos à exportação, para os produtores nacionais. Sem uma reversão nesta postura comercial e avanços nas áreas de infraestrutura, tributária e trabalhista, estaremos sempre um passo atrás dos nossos concorrentes internacionais”, analisa o diretor do Iemi.

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Medidas
Mesmo diante desse cenário que a indústria brasileira tem de enfrentar todos os dias, Prado aponta algumas soluções. Centrar os esforços na agregação de valor, criando uma cultura de qualidade e inovação, e construindo diferenciais próprios para os seus produtos é uma delas.

Assim como estar a par dos avanços previstos dos novos conceitos da Indústria 4.0. “Elas sinalizam que, cada vez mais, seremos desafiados a incorporar novas tecnologias em nossos produtos, que deverão ser ainda mais direcionados a perfis específicos de consumidores (nichos), com produção em pequenos lotes, muita customização e diversidade de modelos. Para se adaptar a este novo sistema de produção que se aproxima, muitas das nossas empresas vão precisar se reinventar para continuar tendo a representatividade que alcançaram, até aqui”, afirma.

Em nível setorial, o diretor do Iemi assinala que para que tudo isso seja possível, é preciso “avançar muito na qualificação dos colaboradores, investir em uma estrutura mais onipresente e acessível, de apoio à inovação, e na formação de cultura própria de desenvolvimento de produtos, substituindo um pouco o modelo ‘seguidor de tendências’ que estamos acostumados a utilizar”, finaliza.


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