O que retarda a tecnologia na indústria

O mercado tem avançado muito no que diz respeito à inovação, porém indústria ainda encontra barreiras no que se refere à velocidade com que as tecnologias chegam ao País

Publicado em 9 de dezembro de 2014 | 16:22 |Por: Marina Gallucci

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Antonio Pinheiro GERJ

Apesar do delay como tecnologias de maquinários, por exemplo, chegam ao Brasil, maior barreira ainda é mão de obra qualificada

Apesar do delay como tecnologias de maquinários, por exemplo, chegam ao Brasil, maior barreira ainda é mão de obra qualificada

Há 12 anos, quem poderia imaginar que contaríamos com recursos de iluminação LED dentro de gavetas e, ainda, com acendimento sincronizado com a abertura? É o que indaga o gerente-geral de produtos da Häfele Brasil, Thomas Schwenne. O gestor narra que hoje até a nanotecnologia é empregada nos produtos da empresa, “explorando estes novos recursos será possível desenvolver produtos cada vez melhores, focando sempre no conforto de nosso consumidor final.”

No entanto, para ele, ainda há um longo caminho a ser percorrido, não só no setor moveleiro, mas na indústria brasileira como um todo. “Estamos apenas no começo”.

Início rumo a inovação que o arquiteto Leonardo Lattavo, da Lattoog, acredita que teve sua primeira barreira ultrapassada quando os fabricantes entenderam o diferencial de ter um bom desenho dentro da fábrica. “A nossa indústria há alguns anos era muito baseada em cópias ou derivados de produtos de fora – e quando alguns industriais tomaram a dianteira de criar sua própria linha de produtos originais, e isso deu certo, serviram de exemplo para o resto da indústria que tenta replicar essa fórmula atualmente. Mudou a cultura”, afirma.

A sequência disso, segundo Lattavo, é querer ter um bom acabamento e ser bom. “E tem quer bom com a sua produção, com sua logística, com sua distribuição, do seu espaço dentro da fábrica ou com seu aproveitamento de material. E a tecnologia vai colada com isso”, explica.

Delay

Mas o que não nos faz competitivos quando se fala em tecnologia? A gerente de marketing da área de móveis da Rehau no Brasil, Camila Bartalena, diz que o fato de o Brasil sempre estar atrás do Estados Unidos ou da Europa “são por motivos que já sabemos”. “Há tecnologias que já estão em alguns países há alguns anos e estão chegando agora aqui. Uma das barreiras que eu vejo é esse delay”, opina.

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Para Lattavo, há vários gargalos no País e sabe-se que os industriais no Brasil “são verdadeiros heróis para sobreviver à política que está frequentemente contra a gente”, critica. Porém, por outro lado, ele analisa que isso faz com que setor trabalhe com fatores que talvez indústrias de outras partes do mundo não tenham que lidar: “Uma característica brasileira é a coisa do improviso. Tivemos que aprender a ser muito bons nisso. Nós temos uma cultura do improviso e uma maneira de trabalhar [superando as dificuldades] que é um ponto muito forte nosso, e consequentemente da nossa indústria”.

Mas, ainda assim, ele defende que os móveis têm, sim, muito a crescer no sentido da competitividade no mercado externo. “Nós temos tido uma grande aceitação fora do Brasil, com produto de desenho, que entram em um gargalo muito granden a questão de preço. É o que tem atrapalhado, não estamos competitivos em um nível internacional. A gente precisa de uma economia mais forte para conquistar o mundo. Porém, o produto está sendo desejado, o que já é um grande sinal”, analisa.

Mão de obra

No entanto, Camila acredita que seja um movimento ainda natural, devido ao processo de evolução econômica, cultural e de parque fabril. “E além de tudo isso, principalmente, de capacitação e treinamento, de as pessoas estarem aptas a usarem novas tecnologias”, diz.

Pedro Revillion Palácio Piratini

Preparar mão de obra para saber usar a tecnologia antes que ela chegue o mercado pode ser uma estratégia para indústria

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O supervisor técnico da Rehau no Brasil, Ronald Welzel, crê que a maior barreira é essa, na verdade. “A questão de maquinário atrapalha, por causa do câmbio e da importação – o que encarece. No entanto, hoje o delay é de um ou dois anos, o que já foi de mais tempo. Atualmente está mais fácil buscar a tecnologia”, afirma.

“Mas enquanto a nossa indústria está ficando mais automatizada, falta mão de obra. As novas tecnologias exigem mais que um simplesmente operador – há toda uma adaptação fabril”, complementa Welzel.

Futuro

Para Lattavo, faz-se necessário olhar para o futuro não só no sentido de criar produtos que antecipem necessidades do usuário. “Temos que estudar o uso der tecnologias que ainda não estão exatamente disponíveis no mercado: que existem, mas não estão disponíveis na indústria local”, diz.

Ele analisa que a resposta deve ser muito rápida a partir do momento que ficarem mais acessíveis. “Já que existe uma necessidade dessa velocidade de trazer novos produtos para o mercado, quem sair da dianteira vai ter o diferencial. Temos que dominar a tecnologia e responder rapidamente, com produtos que utilizem todo o potencial dessas novas ferramentas”, encerra.


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