8º Congresso Nacional Moveleiro encerra com palestra sobre a cadeia de valor do mobiliário

Palestrante apontou a importância das indústrias de pensarem e rumarem para o mesmo lado, criando hubs com goveno e universidades com foco na industrialização do Brasil

Publicado em 22 de setembro de 2017 | 17:45 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

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O 8º Congresso Nacional Moveleiro teve como última palestra, nesta sexta (22), o diretor executivo e co-fundador da Holding Timos, Richard Rytenband, que falou sobre a “A cadeia de valor do setor moveleiro no Brasil – Perspectivas e impactos”.

Rytenband, iniciou questionando os presentes se a crise atual foi forte, mediana ou fraca. “A economia brasileira tem uma característica natural que, depois que tem um grande abalo, ela tende a se recuperar forte”, indicou o palestrante ao apontar um histórico do PIB brasileiro desde o início do século passado.

Investimentos e inovações tecnológicas é o que faz a curva do produto potencial crescer, segundo ele, enquanto a curva do produto interno bruto efetivo teve uma queda brusca em 2015. “Levará anos para voltar a crescer”, frisou. “A riqueza vem da produção e se quiser um atalho para consumir antes de produzir, as pessoas ficarão desempregadas”, explicou o diretor da Holding Timos.

Produtividade do trabalho
Outra questão que Rytenband apontou é por que o salário mínimo cresceu acima da produtividade. “Quer dizer que as empresas estavam pagando acima do que o funcionário estava produzindo”, apontou. “É legal aumentar salário. É legal, mas só é sustentável quando se tem junto ganhos de produtividade”, disse. “Mas não dá para colocar só na conta do trabalhador, é preciso um crescimento coletivo”, ponderou, em vista de que a produtividade não é individual, é um processo coletivo.

Em vista disso, Os países mais ricos, apontou o palestrante, são os que conseguem armazenar conhecimento e know-how e conseguem saber como criar a matéria-prima e modificar os produtos e serviços. “A riqueza vem do trabalho em equipe. Os países ricos são os que tem a capacidade de formar uma aliança entre governo, empresas e universidades”, indagou. Sem isso, não há a capacidade de produzir esses produtos.

Tecnologia e industrialização
Rytenband apresentou os hubs tecnológicos do mundo, no qual brilha os principais países europeus, Estados Unidos e México, além da China, Coreia do Sul e outros países próximos. “É preciso industrialização. É nela onde se gerará conhecimento e know-how e os melhores postos de trabalho”, alertou.

A partir dos anos 2000 houve uma perda de complexidade econômica no Brasil, enquanto na China, começou a formar grande hubs tecnológicos e a fomentar inovações a partir dos anos 1990. “Eles estão armazenando conhecimento e know-how e estão conectados aos maiores hubs de conhecimento, enquanto o Brasil ficou fechado”, disse.

“É preciso incentivar a indústrialização. Já perdemos a guerra da manufatura para a China, perderemos também a pauta de Indústria 4.0?”, questionou o palestrante. A dívida bruta do governo brasileiro deu um grande salto a partir de 2014 e ele coloca isso, entre outros fatores, no fato da centralização do poder. “Toda a centralização é frágil. Por isso que o primeiro ponto que fragiliza o Brasil é que precisamos de rever o nosso pacto federativo. Temos que conceder mais recursos e autonomia nos municípios”, destacou Rytenband.

“Mesmo que o governo cortasse tudo aquilo que pudesse cortar sem mexer na lei, ele ainda teria déficit”, acrescentou. Após apontar vários fatores econômicos como a taxa de juros, IPCA, Selic, Spread bancário, endividamento das empresas e das famílias, Rytenband assinalou que ainda vai tempo para o Brasil retomar o patamar anterior.

Setor moveleiro
A cadeia moveleira é interessante, segundo Rytenband, porque mexe com uma série de materiais, etapas e produtores para chegar ao produto final. “É uma cadeia de valor fundamental e um grande termômetro pela economia. Por isso é duramente atingida quando a atividade econômica cai por ter vários segmentos ligados”, apontou.

Alguns fatores de risco que Rytenband apontou são o emprego, nível de renda, taxas de juros e atividade econômica, além da dependência da expansão da construção civil. “Há uma tendência que o setor de construção civil comece a respirar mais no ano que vem”, apontou. “Quando o empresário perde mais tempo ou mesmo tempo para cumprir burocracias, tem algo de errado”, destacou Rytenband. “Há um estudo que mostra que a quantidade de horas para calcular imposto passa de 2400 horas. Tudo isso é prejuízo e é preciso melhorar urgentemente isso”, destacou.

O país que tem a intenção de se tornar um país rico realiza todas as ações já apontadas por Rytenband até então e exporta, voltando seus olhos para o mundo. Como exemplo ele utilizou a China que aumentou a presença do móvel chinês no Brasil. “Como a gente não é um país, é um continente, temos que criar grandes hubs”, disse Rytenband, em vista da concentração de indústrias moveleiras na região Sul e Sudeste do Brasil. “A riqueza humana só vem do trabalho em grupo, não se cria nada sozinho”, frisou o palestrante.


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