Tendência: vegetais integrados ao novo morar urbano

Com a tendência da agricultura urbana, horta e jardim trazem o verde de volta às cores da cidade

Publicado em 27 de novembro de 2015 | 10:50 |Por: Nicholle Murmel

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A agricultura urbana vem se disseminando como tendência macro de ocupação de espaços subutilizados e áreas degradadas nas cidades. É uma forma de aproveitamento e reabilitação de espaços, incentivo de sistemas alternativos de economia, consumo e, acima de tudo, melhora na qualidade de vida geral nos centros urbanos.

O movimento do novo morar urbano traz o verde de volta à cartela de cores das metrópoles e também se mostra nas casas e apartamentos, onde acontece uma pequena revolução da jardinagem através de equipamentos de tecnologia avançada e design bem pensado para incorporar plantas comestíveis a peças de mobiliário, eletrodomésticos e instalações de cultivo que embelezam ambientes e trazem a natureza de volta aos locais com excesso de interferência humana.

O primeiro exemplo que salta aos olhos é o sistema Plantui. Os chamados “jardins inteligentes” desenvolvidos pela empresa de mesmo nome na Finlândia são um misto de luminária com floreira hidropônica altamente computadorizada.

Plantui fabricado na Finlândia tem como slogan a premissa de que "todos merecem um jardim"

Plantui fabricado na Finlândia tem como slogan a premissa de que “todos merecem um jardim”

A ideia é tornar a jardinagem urbana o mais simples possível para o usuário, a quem falta tempo ou habilidade. É preciso apenas das cápsulas contendo as sementes das plantas que quer cultivar, e de água para o reservatório do sistema – não é necessário sequer mexer com terra, e os sistemas de climatização do Plantui garantem que as hortaliças, temperos e flores comestíveis terão a quantidade e tipo certo de luz, água e nutrientes para cada etapa do crescimento até a colheita de um produto totalmente orgânico após cerca de quatro a oito semanas.

“O Plantui foi criado pela nossa rede de profissionais que inclui biólogos, especialistas em tecnologia para estufas e nutrição de plantas. Também tivemos especialistas que trabalharam na Nokia participando da criação do sistema de computador”, explica Johanna Siltala, representante de Marketing da empresa.

As peças impressionam pela aparência discreta, elegante e versátil concebida pelo designer e fundador da empresa, Janne Loiske – o modelo Plantui 6 ganhou o prêmio RedDot de design de 2015. A representante conta ainda que os usuários costumam acomodar a peças em vários locais da casa – sala de estar, quarto, corredores e cozinha, já que o aparelho emite luz e não faz barulho. “O Plantui é luz bela e viva”, conclui.  A premissa do produto é o título este texto – todos merecem um jardim.

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Modelo 6 do jardim inteligente Plantui ganhou o Red Dot Award em 2015. Foto: Plantui.com

No Brasil também existem iniciativas igualmente criativas para trazer a natureza de volta às casas das populações urbanas. Três engenheiros de Porto Alegre (RS) desenvolveram o Plantário, uma espécie de estufa doméstica que só precisa de um ponto de eletricidade e outro de água para cultivar temperos e hortaliças pequenas dentro da cozinha, também com um sistema automatizado que monitora e garante as condições ideais de crescimento dos vegetais.

Plantário em exposição durante a edição Casa Cor no Rio grande do Sul

Plantário em exposição durante a edição Casa Cor no Rio Grande do Sul. Projeto: Arquitetas Karine Queiroz e Tatiane Soares

“Vivemos cada vez mais em cidades, mais longe de onde os alimentos são produzidos, e nesse ciclo de produção e transporte se perde muita coisa. É algo que onera muito quem produz e quem consome. Então pensamos em como seria legal a possibilidade de cultivar uma horta orgânica em casa”, descreve Bernardo Mattioda, um dos engenheiros criadores, sobre como o conceito do Plantário surgiu.

Assim como o Plantui finlandês, a estufa desenvolvida pelos gaúchos é auto regulada por sistemas que determinam quanto tempo as luzes de LED, que imitam o espectro do sol, ficarão acesas, além de controlar o suprimento de água para as plantas e a renovação constante do ar dentro do equipamento.

Atualmente o eletrodoméstico tem como alvo o público gourmet, que integra o equipamento e os produtos frescos ao mobiliário da cozinha e à culinária como paixão. O produto é comercializado em toda a região Sul do Brasil e também em São Paulo através de parcerias com lojas especializadas em móveis planejados de alto padrão, que já apresentam o Plantário como eletrônico que pode ser integrado a um projeto de interior, assim como uma adega ou outra comodidade.

“Desde o início nos preocupamos com a estética, já que o produto ficaria exposto e a cozinha é cada vez mais o coração da casa. Resolvemos isso projetando o produto da forma mais reta e minimalista possível, para que as estrelas sejam as próprias plantas. Traz toda essa questão do verde e da natureza para dentro da cozinha”, explica Mattioda.

A ideia é incorporar o Plantário ao planejamento do ambiente como um eletrodoméstico gourmet. Projeto: Arquiteto Alan Chu. Foto: Djan Chu. Plantário adicionado digitalmente.

Em uma escala mais ambiciosa e conceitual, o EcoBeco em São Paulo é um projeto desenvolvido pelo arquiteto Rafael Loschiavo. O corredor reúne diversos projetos voltados à sustentabilidade, entre eles a horta urbana Growbed e o jardim vertical Growpocket desenvolvidos pela empresa luso-brasileira Noocity. Os produtos vêm em dimensões variadas e se adaptam aos espaços limitados de varandas, terraços e mesmo paredes para permitir o cultivo de alimentos e plantas decorativas.

“As hortas urbanas transformam espaços inutilizados em espaços vivos, produtivos, de convívio e abundância. Por meio do trabalho em uma horta, as pessoas da comunidade se conhecem, trocam experiências, compartilham conhecimentos e fortalecem os laços”, comenta Laís Andrade, diretora comercial da Noocity Brasil.

Horta urbana desenvolvida pela Noocity

Horta urbana desenvolvida pela Noocity. Foto: Portal Ecoeficientes

A Growbed conta com sistema de captação de água da chuva, drenagem e compostagem que torna o ambiente em que as plantas crescem auto-regulado, e a solução chega até mesmo a ser usada por restaurantes e bistrôs para fornecer desde os temperos mais cotidianos até as especiarias mais exóticas para as receitas. Já a Growpocket é uma espécie de bolsa de lona que também capta água da chuva e pode ser instalada em quantidade para transformar paredes em superfícies vivas “Em relação à decoração e paisagismo, nossos produtos embelezam o ambiente, e podem ser instalados em qualquer lugar da casa, desde que recebam ao menos 4 horas diárias de luz solar direta”, explica Laís.

Bolsas Growpocket podem revitalizar paredes e compor jardins verticais

Bolsas Growpocket podem revitalizar paredes e compor jardins verticais. Foto: Portal Ecoeficientes

A presença do verde em locais geralmente esquecidos ou utilizados de forma precária traz uma dimensão perdida de contato e convívio das pessoas em torno do cultivo e consumo das plantas. Essas peças de instalação simples e manutenção baixa permitem incorporar a jardinagem e a agricultura como hobbies e estilos de vida até então virtualmente impraticáveis na cidade. E essa tendência deve crescer no Brasil e em todo o globo como uma proposta mais amigável ao meio ambiente no que diz respeito à mobilidade, lazer, alimentação, e ao morar no espaço urbano.


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