Entrevista: especialista dá dicas sobre o marketing de experiência

O consultor Vinícius Kamei, comenta sobre a definição do marketing e como deve ser aplicado em móveis e complementos dentro do setor moveleiro

Publicado em 10 de novembro de 2017 | 10:33 |Por: Ricardo Heidegger

Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

A definição do marketing de experiência caminha desde os quesitos práticos, até os teóricos que consistem em definições e pressupostos que devem ser seguidos para que o modelo possa ser colocado em prática. A teoria, é basicamente construída dentro do molde dos 3 V’s, sendo eles a verdade, vontade e valor, no que se assemelha bastante ao tipo de modelo utilizado no marketing tradicional e no digital. Já o modo prático do marketing de experiência, é um estudo aprofundado sobre o perfil e as emoções de cada cliente, criando uma ponte entre produto e consumidor.

Além disso, a importância de sair do padrão, buscando novas visões e soluções que se destacam no mercado para seus clientes, é outra defesa dessa modalidade de marketing, que caminha como padrão ideal de trabalho em um mercado amplamente atingido pela crise financeira do Brasil. Com mais de 10 anos de experiência dentro do campo do marketing, o consultor sênior na solução comercial VendaMais, Vinícius Kamei, é especialista e defensor do marketing de experiência sendo aplicado em todos os setores do mercado atual

Em entrevista exclusiva ao Portal eMóbile, Kamei comenta sobre as definições desta modalidade do marketing, além de suas possibilidades e da maneira como deve ser trabalhada para atingir o sucesso tanto das empresas, como dos clientes. O consultor também dá dicas para trabalhar com a ferramenta que se mantêm no mercado como garantia de bons resultados.

Divulgação

Vinícius Kamei e marketing de experiência

Defendendo que tudo começa e termina com o cliente, o profissional vê o marketing de experiência como ideal para qualquer setor

Portal eMóbile | No que consiste o marketing de experiência?
Vinícius Kamei | O conceito em si de experiência, primeiramente diz respeito aos nossos sentidos sensoriais. Tudo na vida, pode ser simplificada em termo de serviços, e falando de móveis de alta decoração, como um sofá vira uma forma de serviço? Ele pode servir para desempenhar um status de acordo aquela pessoa que está adquirindo, ou um conforto e inúmeras outras situações que consistem no ato de prestar serviços.

A partir da definição de que tudo pode ser um serviço, o próximo passo dentro do marketing de experiência, é entender como é que o “DNA” de tal marca, pode transcender algum produto, gerando uma sensação do que esse marco de experiência pode proporcionar. Como profissional que utiliza os artifícios dessa ferramenta, acho interessante citar cases e situações. Em um exemplo de provas de automobilismo, que normalmente ocorrem no Paraná, uma parcela das pessoas vai ao evento para ver as disputas, algumas delas levam família, amigos, entre outros.

Em um camarote ou salas que se encontram nos locais de corrida, existem locais que podem ser alocados móveis. Ali, além da experiência vivida pela prova, o conforto que esses materiais proporcionam para essas pessoas, é o máximo de experiência. É bom citar que essa geração de valor, sempre leva a sensação adquirida a ser relacionada com a marca, funcionando em trabalho conjunto. O perfil criado forma uma aderência para que esse tipo de indivíduo consuma determinados produtos que são associados à eventos, e consequentemente marcas.

Portal eMóbile | Como as empresas podem perceber experiências e oportunidades para aplicar o marketing de experiência?
Kamei | Tudo começa e termina com o cliente. A partir desse entendimento do perfil com quem trabalhamos, como é o hábito dele em si, que ambientes ele frequenta, e que tipo de ambiente ele comparece em situações de eventos e etc, é possível ver se tem aderência. Essa ação é para que as empresas atuantes no mercado possam proporcionar experiências, e aí sim vender esse perfil de público de uma maneira mais efetiva.

No exemplo que compreendi anteriormente, as pessoas costumam ter a tendência de continuar frequentando tal tipo de ambiente. Quem é aficionado por automobilismo, como no exemplo, fica muito envolvido com corrida. O restante que não se enquadra nisso, como as esposas e filhos, ficam em um local geralmente dentro de um box, onde é servido café, lanches e etc, assim elas precisam ficar ali de uma maneira confortável. Que tipo de móvel e decoração pode ter ali, para que então se remeta essa experiência?

– Herval marca presença na High Point nos Estados Unidos

Só com o marketing de experiência, compreendemos como é importante entender quem é o meu perfil de cliente, quais são os hábitos dele, e quais deles tem aderência, para que eu como empresa possa proporcionar a mesma experiência. Isso deve ser seguido para que fique registrada aquela sensação em si das pessoas que são meu alvo, e vincular a minha marca junto com essas sensações.

Portal eMóbile | Como os 3 V’s do marketing de experiência podem ser aplicados nas vendas de mobiliário de alta decoração?
Kamei | Podemos voltar na questão de que tudo nasce e termina com o cliente. A Staatliches-Bauhaus, famosa escola de design alemã que teve encerramento das atividades em 1933, tinha uma metodologia muito interessante para desenvolver qualquer tipo de produto na questão do design. Por exemplo, o design de uma cadeira é projetado para gerar um conforto e para compor uma sala de estar, causando uma sensação de satisfação nesse ambiente.

Divulgação

Marketing de experiência

Os 3 V’s (verdade, vontade e valor), são a parte teórica do modelo que busca proporcionar experiências únicas para seus clientes

Quando falamos o termo “projetado para”, ele tem uma funcionalidade específica. O Bauhaus citava muito sobre isso, tudo se centra nas pessoas e a partir disso, você desdobra o restante. A questão da sensação em si, é pelo fato das pessoas almejarem o prazer e as sensações boas. A verdade, é que existe aderência do tipo de móvel ou adereço do segmento mobiliário, além de ter relação com indivíduos remetendo a essas situações.

É importante saber quais são os interesses, e que tipo de situações, eu como empresa, poderia criar uma experiência dentro daquelas ocasiões em que indivíduos já estão envolvidos para remeterem à marca. O marketing de experiência atua no setor moveleiro da forma que atua em outros setores. O modelo se repete, mas é importante observar o perfil de quem está inserido nesse setor.

Portal eMóbile | Existe alguma situação no mercado em que o marketing de experiência não teria execução adequada?
Kamei | Já trabalhei bastante com a questão do marketing de experiência e seus conceitos, e essa pergunta sempre foi um questionamento pertinente. Acredito que essa ferramenta se aplica a todos os setores, em todas as ocasiões em que se possa utiliza-la. Neste caso, sempre estaremos falando de pessoas. Pensando nesse sentido, fiz parte da criação de um clube chamado Experience Club, que existe até hoje. Esse Experience é um calendário de experiências, onde trouxemos um tomador de decisões para as empresas envolvidas.

Além disso, acredito na possibilidade da criação de aderências que geram experiências únicas para todos os tipos de negócios. Obviamente, como estamos falando de pessoas que estão por trás de seus negócios, precisamos entender elas, para assim conseguir criar as experiências que vão fazer sentido do porque que a marca deles está vinculado à algum produto ou situação.

Portal eMóbile | O modelo deve se renovar, buscando outras tendências para auxiliar os setores a sobreviverem a momentos de crise financeira?
Kamei | As mudanças vêm surgindo em um ritmo muito maior nos últimos anos e mais especificamente nesta questão de hoje em dia do mundo digital. É bom citar que deve existir um acompanhamento em cima dos clientes, pois as tendências que são procuradas mudam na visão de cada pessoa, o modelo não sofre tanta alteração nesse sentido. As empresas que não se adaptarem a esse novo modelo de comportamento das pessoas, estarão fadadas ao fracasso.

– Segunda edição do Decora Day será realizada em novembro

Antigamente, a divulgação de nossos produtos e serviços era pelos meios disponíveis. As mídias digitais, além de facilitar a transição de informação, pode proporcionar experiências. Uma empresa que está fora do mercado digital, não tem futuro, já que seu público passa mais tempo no Facebook, Instagram entre outros, até quando se diz respeito à busca por produtos. Mas obviamente, temos adesões menores de acordo com o nível de idade. As novas gerações devem ser o foco, pois se apostar apenas nas mídias tradicionais, não avança.

Vejo a realidade aumentada como um ótimo meio de proporcionar uma experiência, mesmo que se for digital, para o consumidor. No quesito do setor moveleiro, a pessoa pode ver se um arranjo, por exemplo, pode ficar adequado e bonito para algum comodo de seu apartamento. O cliente consegue visualizar tudo isso, facilitando muito mais e criando um novo sentido de experiência, mesmo que não tenha visto o produto fora da realidade virtual. A Ikea segue este modelo para proporcionar uma tendência digital para o público do setor mobiliário.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

eMobile

Acompanhe o emobile nas redes sociais

Linkedin
Facebook