Veja como trabalhar o design industrial nos ambientes e móveis

Ambientes com materiais pesados, imperfeições aparentes, cores sóbrias são marcas do estilo

Publicado em 19 de maio de 2017 | 15:10 |Por: Érica da Costa Diniz

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O design industrial foi um movimento muito forte na década de 50 em Nova York e remete aos galpões, galerias e fábricas antigas da cidade. Uma das principais características do estilo é o mix de texturas como o couro, a lona e as cores sóbrias, como cinza, preto, tons terrosos, branco e as imperfeições aparentes como tijolos, pregos, madeira de demolição, tubulações.

“Os materiais utilizados nesse tipo de espaço são de fácil acesso e de cunho mais industrializado. Materiais que normalmente serviriam como infraestruturas recebem um tratamento de projeto, desenho, acabamento sobre eles para que sirva como material de adorno, de exposição”, conta o arquiteto Tiago Campetti, sócio-fundador do Estúdio Campetti.

Crédito: Divulgação Estúdio Campetti

Design Industrial - Tiago Campetti

Arquiteto Tiago Campetti

Itens de reaproveitamento também são muito utilizados, o segredo para ter um bom ambiente com o estilo de design industrial é criar equilíbrio com os móveis da residência, que podem ter aspecto vintage ou de desgastado.

“No nosso estúdio nós mostramos algumas opções diferentes de como os ambientes podem ser. Temos uma sala de entrada bem industrial com os vergalhões aparentes e as eletrocalhas, na sala do lado há tijolos aparentes, temos a sala de mármore com luz, é um pouco de um mix, mas é para mostrar que um ambiente bonito, bem elaborado, não depende do material, não é apenas o material nobre que dá um bom acabamento. E o industrial é isso, são materiais aparentemente baratos que trazem um resultado diferente”, explica – o ambiente pode ser conferido na foto acima.

Campetti ressalta que tem notado há algum tempo que ocorre uma oposição a essa tendência, que propõe um ambiente mais “clean”.

“O industrial é uma tendência tão consolidada que já está gerando uma contraproposta em relação a ele em alguns casos. O ambiente industrial se baseia em muitos detalhes, como as conexões aparentes que precisam ser bem trabalhadas, pensadas, por exemplo. E a contra tendência do industrial é algo mais clean, voltando às superfícies lisas, com um minimalismo mais contemporâneo”, revela Campetti.

O arquiteto conta que o design industrial se diferencia por propor uma quebra do tradicional e trazer a cultura do faça você mesmo. “Por muito tempo a arquitetura de interiores foi baseada mais em móveis planejados, com uma leveza mais formal de materiais, um pouco padronizado. E quando o industrial surge, quebra um pouco dessa referência básica que se tinha por anos, e o fato dele harmonizar muito bem, cria uma ambientação distinta, de fácil personalização”, assinala.

Referência
Ele fala que o industrial funciona muito como referência, o cliente quando pede algo na linha, já traz referências externas que ele já pensou a respeito de como seria feito. “Quando trabalhamos com ambiente dificilmente o cliente fará o próprio imobiliário, mas as referências são de pessoas que fizeram o próprio móvel e ensinaram em algum tutorial. Com isso, nós verificamos se ele quer uma cópia daquela peça ou uma peça próxima daquele repertório. Essa conexão com o faça você mesmo, sem dúvida é algo muito forte”, reforça.

Crédito: Divulgação Estúdio Campetti

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Modelo de Design Industrial aplicado em residência

Campetti diz que as primeiras referências que os moradores têm do design industrial são os pisos de cimento queimado. “A meu ver, os primeiros pontos que o cliente busca é o piso e o teto. O chão na maioria das vezes é o cimento queimado e no teto é explorado o máximo possível da estrutura de instalação aparente. Depois eles pensam no mobiliário, a mistura do ferro com a madeira, com os engates do mobiliário em peças parafusadas, onde é possível ver como as conexões desses elementos mobiliários são feitas”, destaca.

Mobiliário
Para dar um contraste entre os materiais mais pesados e trazer aconchego ao ambiente o arquiteto ressalta que “a mescla entre o material industrializado, que na maioria das vezes é o ferro, o alumínio, com a madeira suaviza bastante. A madeira se puder ser apresentada em sua forma natural é melhor, pois quebra um pouco dessa brutalidade. A composição com plantas é essencial, quando você consegue fazer essa combinação de natural e industrial você consegue um ambiente mais harmônico”, pontua Campetti.

Urban Jungle
É o preenchimento com vegetação dentro das casas. Campetti explica que não é a parede verde, que é algo mais clean. A ideia do Urban Jungle é a de selva urbana, a disposição pelo chão, teto, paredes com vasos de diferentes plantas.

“É algo que tenho analisado que aparece bastante e quando aparece normalmente ela não está diretamente ligada ao industrial, se encaixa em vários estilos, mas vejo que no industrial ela sempre acompanha. Essa tendência de quebrar a brutalidade com alguns elementos naturais tem sido bem forte.

Color Design da Lechler no FuoriSalone 2017

O design industrial proporciona ambientes bem ecléticos, tanto residenciais quanto empresariais. Por utilizar cores mais sóbrias e elementos pesados, Campetti realça a importância das cores claras, da vegetação, e da personalidade do morador. “Trazer a sua personalidade para o ambiente é essencial, para que não vire de fato uma vitrine. O estilo industrial aceita muito bem a personalidade de quem usa, podem seguir vários tipos de decoração, de adorno, objeto, esses detalhes do uso diário que quebram um pouco esse paradigma e trazem mais o jeito de cada um”, conclui.


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