Projeto visa impulsionar setor moveleiro do Acre

Projeto usa símbolos e madeiras locais para fortalecer e disseminar cultura acreana

Publicado em 20 de outubro de 2017 | 7:00 |Por: Érica da Costa Diniz

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O projeto “Acre, Made in Amazonia” começou em 2012 com o objetivo de realizar o manejo sustentável 19 da floresta e a consolidação da cadeia produtiva do setor moveleiro do Acre. Ele combina estratégias de inovação e competição de mercado para desenvolver o setor moveleiro do Acre. Foi criado por meio de uma iniciativa do governo do Acre e com o apoio do Sebrae, Senai e o Sistema Fieac.

Para isso, profissionais nacionais e internacionais foram convidados a participar da iniciativa. Entre eles os designers Emmanuel Gallina e Bernardo Senna e coordenadores Elisângela Rocha (IDM/Sedens) e, da Poli.design de Milão, Arturo Dell’Acqua Bellavitis, Giuliano Simonelli, Eugenia Chiara, Valentina Auricchio e Roberto Galisai, além do técnico italiano Sergio Frison, que desenvolve produtos para importantes marcas europeias.

Divulgação Acre Móveis

Móveis Acre - Processo - setor moveleiro do Acre - Divulgação Acre Móveis

Madeiras locais foram escolhidas de acordo com aceitação do mercado e rápida recuperação da floresta

O “Acre, Made in Amazonia” também teve a contribuição de pesquisadores de renome no Brasil, como Zoy Anastassakis, todos esses profissionais trabalharam em conjunto com uma classe de 35 estudantes entre 18 e 60 anos, formada por arquitetos, marceneiros, filhos de marceneiros e artistas locais para desenvolver os móveis e a comunicação do projeto por meio de oficinas de design.

Desenvolvimento

Dessa troca de experiência entre os locais e os profissionais do setor moveleiro do Acre e de outros lugares do País e do mundo, surgiu a coleção que usa madeiras da região e também símbolos do estado do Acre.

No projeto, os profissionais buscaram valorizar a gramática visual acreana, ou seja, os artesãos e a matéria-prima. Mais do que isso, com o objetivo mudar a visão de valor que os moradores locais têm.

“Nossa missão principal é ajudá-los a criar um valor local, utilizando a matéria-prima de maneira que seja vendida por um valor maior. Não que eles irão ficar ricos, mas que gere melhorias para o setor moveleiro do Acre e para a cidade e a floresta”, enfatiza o designer Bernardo Senna.

A coleção foi apresentada na High Design 2016. Para mostrar a qualidade técnica e dos materiais disponíveis, Senna reforça que as peças têm muito mais do que o apelo estético. “Nossos móveis não foram feitos apenas para uma exposição, são para serem comercializados e tornarem o setor moveleiro do Acre um importante fabricante de móveis. Nós realizamos estudos para que sejam produtos competitivos, pois todas as pessoas dão preferência para o apelo ambiental, mas depende de quanto isso custará”, pontua.

Importância do FSC para o setor moveleiro

“Quando conversamos com os lojistas e representantes nós explicamos como eles podem vender esses móveis, por isso elaboramos móveis duráveis, com pouca assistência técnica, um produto para ser competitivo”, completa Senna. Para o designer, “o sucesso no desenvolvimento e recepção do projeto aconteceu devido à busca pelo equilíbrio entre os dois lados, tanto o uso da cultura local (que é o conjunto de referências, como a estrela da bandeira do Estado, a ancestralidade indígena), a busca por materiais sustentáveis e a importância do manejo florestal”, ressalta.

Madeiras escolhidas

Senna salienta que para o “Acre, Made in Amazonia” foram escolhidas madeiras com maior chance de conseguir espaço no mercado, como Cedro, Cerejeira, Roxinho, Cumarú-ferro, Itaúba, Jatobá e Tauari. Para o profissional, esse lado comercial também foi observado antes do desenvolvimento dos itens pelo setor moveleiro do Acre. “Queremos algo bonito e que consiga concorrer com 20qualquer outro móvel que está disponível no mercado. Por isso, usamos madeiras que tem maior aceitabilidade e o nosso principal cuidado durante a fabricação é no processo de secagem”, acrescenta.

Para esse projeto, o setor moveleiro do Acre recebeu o certificado madeiras FSC Comunitário, modalidade exclusiva para produtos de florestas manejadas por pequenos produtores ou comunidades. “A certificação não corresponde apenas à madeira. Significa que se tem um número de famílias que vivem em uma reserva extrativa. Na reserva é retirada uma árvore por hectare, isso equivale a retirada de uma árvore em uma área do tamanho de um campo de futebol. Esse é o bacana da certificação, ele gera um interesse em proteger a floresta”, detalha Senna.

Divulgação Acre móveis

Móveis Acre - Designer edt - Bernardo Senna

O designer Bernardo Senna ficou feliz com a conquista do selo FSC Comunitário

Móveis desenvolvidos

Todos os móveis desenvolvidos tiveram inspirações regionais, como o Buffet Palafita, que foi desenvolvido com alturas diferentes representando as casas dos ribeirinhos. Nessa peça foram utilizadas duas madeiras diferentes para indicar o nível da água.

As mesas Jatobá usam diferentes tipos de madeira para lembrar a alegria do ritmo do forró. Enquanto a Yuxin remete as tribos indígenas, aos ancestrais daquele povo. A cadeira Estrela foi inspirada na estrela da bandeira do Acre. Já o banco Empate une roxinho e cerejeira para representar os dois contrastes entre fazendeiros e seringueiros.

Aprendizados

Para Senna, a experiência de trabalhar com profissionais, moradores locais, fabricantes e outras pessoas que estão na ponta da cadeia foi algo riquíssimo. “Quando chegamos lá, os locais é que nos ensinaram a importância do reflorestamento, de preservar a floresta para os animais, tínhamos uma ideia sobre a preservação, porém, é muito além do que nós imaginávamos”, esclarece.

“Esse foi o maior aprendizado que eu tive, tanto com os europeus quanto com os acreanos e isso vai continuar se desenvolvendo por conta própria agora que os contatos foram feitos”, comemora o designer.


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