Sexta, 15 Junho 2012 16:45

Design sustentável pró-humanidade

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Mais que criar peças bonitas, fazer design é desenvolver, de forma inovadora, produtos de qualidade, que proporcionem conforto aliado à beleza, funcionalidade e ergonomia. Até aí muito já se sabe, mas não basta fazer design pelo design, pelo capital, agora só vale ousar falar em design se a humanidade for o foco. Nos tempos em que os recursos são cada vez mais escassos frente ao crescimento populacional, que temos que atender nossas necessidades, sem comprometer as futuras gerações, o foco deixa de ser o homo sapiens e passa a ser o planeta.

O design toma outra proporção, ele transcende a forma e os interesses individuais. Ele tem de ser sustentável. Diferente do green design, voltado para a reciclagem de materiais e do ecodesign, focado nos produtos verdes, um móvel fabricado a partir do design sustentável significa um produto  concebido com lucro, tecnologias e processos limpos, que garantiu os interesses de toda a cadeia de valor, portanto, de colaboradores, fornecedores, clientes e comunidade, ou seja, os stakeholders.

Esta é uma tarefa mais fácil do que se imagina, basta que indústrias e marcenarias não se desviem da sua razão de ser que é obter lucro, sem perder de vista suas responsabilidades perante seus stakeholders, enfim não se desviem de sua responsabilidade social. Mas afinal, o que é responsabilidade social empresarial?

Pela definição da ONU, conforme consta na norma ISO 26000, é a responsabilidade de uma organização sobre os impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente através de comportamento transparente e ético, que contribua para o desenvolvimento sustentável, incluindo saúde e o bem estar da sociedade, leve em conta a expectativa das partes interessadas, esteja de acordo com as leis aplicáveis, consistente com as normas internacionais de comportamento e esteja integrada através da organização e praticada nos relacionamentos desta. Sem dúvida, esta é  uma definição complexa e emblemática, mas um grande avanço e resultado de muito trabalho, que juntamente ao conceito de desenvolvimento sustentável, começou na década de 70, tomou corpo nos anos 80, se fortaleceu na Rio 92 e esperamos que se consolide na Rio + 20.

Tomo a liberdade, porém, de dar uma definição mais simples e objetiva para o tema, uma vez que responsabilidade deriva da palavra resposta. Portanto,  responsabilidade social empresarial também pode ser entendida como a atitude da empresa em dar respostas proativas às demandas sociais, de forma ética e alinhada à sua estratégia de negócio. Assim sendo, o design sustentável passa ser a principal ferramenta para garantir a competitividade das empresas, pois está baseado no equilíbrio entre os três  pilares da sustentabilidade, o econômico, o ambiental e o social. Seja qual for o segmento é sempre possível inovar em produtos, utilizando  tecnologias limpas e respeitando a sociedade. No setor, moveleiro este movimento ganha cada vez mais força, haja vista as tendências apresentadas em Milão, onde  os resíduos deixaram de ser ativos de risco e passaram a ser oportunidades de negócios. Parafraseando o saudoso carnavalesco Joãozinho Trinta, lixo virou luxo.

No Brasil, se a indústria puder contar com o apoio do governo para desonerar a produção, certamente, muito mais empresas deixarão de fabricar apenas produtos que já viraram commodities, para apostar no design, na inovação, na sustentabilidade. Mundialmente, o design sustentável poderá ser a ferramenta de combate à  degradação ambiental, ao trabalho escravo, à mão de obra infantil, à exploração sexual, à discriminação e à miséria daquele que não tem emprego, não teve educação básica e profissional de qualidade. Por esta razão, que a Rede Social Marcenaria Sustentável http://marcenariasustentavel-sn.ning.com/ e seus parceiros trabalham pela sustentabilidade  do setor focados na capacitação profissional e na geração de emprego. Enfim, trabalham prioritariamente pelo Design Sustentável pró Humanidade.

* Simone Nascimento é diretora da Escola e da Rede Social Marcenaria SustentáveL e diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp – Cores.

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